DX: RI1FJL - Ilha Heiss, Terra de Franz Josef
[ATUALIZAÇÃO] — Novo relato rápido de R7AL: o mar segue "tempestuoso", com ondas de 15 a 20 pés (cerca de 4,5 a 6 metros). A equipe continua ativa em 30m FT8, com locator atual LQ04.
13 de agosto, 18h30 UTC — Vasily, R7AL, informou que está tudo bem a bordo do iate "Mariya", porém o mar está agitado e nenhum tripulante está se sentindo muito bem no momento. Velocidade média de 5-6 nós. A antena funciona bem em 30 metros, mas não em 20/17/15 metros — vão tentar consertar mais tarde. Ontem, durante a viagem, estavam no locator KP69; hoje é KQ70. Estão operando em FT8, podendo tentar CW mais adiante, mas ainda não confirmado.
12 de agosto, 09h00 UTC — No horário previsto, a equipe partiu rumo à Terra de Franz Josef. Poucas horas depois, já iniciaram atividade a bordo do iate como RI1FJL/MM, em 30 metros FT8.
11 de agosto — Novo atraso, desta vez por formalidades alfandegárias na fronteira; a partida foi finalmente reagendada para quarta-feira, às 6h da manhã, horário de Moscou.
7 de agosto — Toda a equipe já está em Murmansk há dois dias, reunindo carga e mantimentos para a viagem. Dois dias foram perdidos por causa de um grande ciclone no Mar de Barents, e a expectativa é que o iate chegue no dia seguinte. Previsão de saída de Murmansk em 9 de agosto.
17 de julho — Devido às condições de gelo previstas e a questões logísticas e burocráticas, o comandante do iate insistiu em mudar as datas da expedição RI1FJL. A nova data de partida passou a ser 7 de agosto, com chegada à ilha prevista para 15 de agosto. A equipe recebeu, enfim, autorização por escrito da administração do Observatório Polar para usar a base e toda a infraestrutura local, incluindo eletricidade — um custo adicional de US$ 6.000. A carga da expedição, 500kg de equipamento, já está em Murmansk; outros 300kg virão com os próprios integrantes da equipe. Alimentos e água potável para a viagem, que deve durar mais de 30 dias, serão comprados pouco antes da partida. Um enorme agradecimento a todos os clubes, fundações e doadores individuais que já apoiaram a expedição — cerca de US$ 8.000 arrecadados até aquele momento, ainda com déficit orçamentário significativo.
8 de abril, por Vasily, R7AL — A equipe recebeu resposta por escrito da Administração do Norte de Hidrometeorologia e Monitoramento Ambiental, concordando em acomodar os participantes da expedição na Estação Meteorológica E.T. Krenkel, na Ilha Heiss — um marco importante na preparação da viagem. A acomodação será fornecida em base comercial. Também houve mudança na equipe: Alexander, R2DVE, precisou se retirar da expedição, sendo substituído por Ruslan, UA4Z, um dos principais competidores de contest da Rússia.
24 de fevereiro — Agradecimento pelas doações recebidas até então; um problema na configuração do botão de doações do PayPal (que estava configurado como botão de vendedor, e não de doação) foi identificado — doações pendentes seriam devolvidas em até 30 dias e podiam ser reenviadas usando o botão correto, já corrigido no site.
16 de fevereiro — Marco importante: pagamento dos primeiros US$ 20.000 pela embarcação e assinatura do contrato com o comandante do iate — "sem volta agora", nas palavras da equipe. Ainda aguardando a permissão para ficar nas instalações do Observatório Polar, mas com confiança de que seria concedida em breve. Cerca de US$ 3.000 arrecadados até então.
20 de janeiro — Após dois anos de planejamento, a RUDXT anuncia com orgulho uma expedição ao DXCC mais ao norte do mundo: a Terra de Franz Josef. Uma equipe de 6 operadores estará ativa na Ilha Heiss (FJL) por 15 dias, entre o fim de agosto e o início de setembro de 2026. A ativação é difícil e cara — orçamento próximo de US$ 80.000 —, valor bastante alto para a pequena equipe da RUDXT, que depende fortemente do apoio da comunidade DX para viabilizar a viagem.
Mais informações no site QRZ.com clicando aqui
publicação original (em inglês) pode ser acessada clicando aqui.
A Terra de Franz Josef é um arquipélago russo no Oceano Ártico, o ponto mais setentrional do Oblast de Arkhangelsk. São 192 ilhas, somando cerca de 16.134 km², das quais aproximadamente 85% estão cobertas por geleiras. O Cabo Fligely, na Ilha Rudolf, é o ponto mais ao norte de todo o Hemisfério Oriental. O arquipélago nunca teve população permanente — apenas pessoal militar ou de pesquisa em estações temporárias, o que o torna um dos lugares mais remotos e menos visitados do planeta.
O primeiro relato oficial de descoberta veio da Expedição Austro-Húngara ao Polo Norte (1872-1874), liderada por Julius von Payer e Karl Weyprecht a bordo do navio Tegetthoff, que batizou a região em homenagem ao imperador Franz Joseph I. Há indícios de que baleeiros noruegueses já haviam avistado a terra em 1865, mas nunca divulgaram o achado. Nas décadas seguintes, o arquipélago tornou-se palco de importantes expedições polares, incluindo a viagem do Fram, de Fridtjof Nansen (1893-1896), e a expedição italiana de Luigi Amedeo, Duque dos Abruzos, a bordo do Stella Polare.
A história local também guarda episódios trágicos: em 1912, o hidrólogo russo Gueorgui Sedov partiu em uma marcha rumo ao Polo Norte apesar de estar debilitado por escorbuto, e morreu no caminho em março de 1914. Em 1926, a União Soviética anexou o arquipélago, alegando o "princípio setorial" entre o continente e o Polo Norte — reivindicação nunca reconhecida internacionalmente e contestada por Noruega e Itália.
Durante a Guerra Fria, a Terra de Franz Josef ganhou grande importância estratégica, sendo descrita como um "porta-aviões inafundável"; ali foi construída a base aérea de Nagurskoye. Em 1957, no âmbito do Ano Geofísico Internacional, foi criado o Observatório Geofísico Ernst Krenkel na Ilha Heiss — justamente onde a expedição RI1FJL se instalará —, com uma pista de pouso erguida um ano antes. A área permaneceu fechada a estrangeiros até 1990, quando a União Soviética passou a permitir pesquisas internacionais na região.
Desde 1994 o arquipélago é uma reserva natural, e desde 2012 integra o Parque Nacional Ártico Russo, abrigando populações de ursos-polares, morsas e diversas aves marinhas árticas. Por sua localização extrema, dificuldade logística e altíssimo custo de acesso, a Terra de Franz Josef figura entre as entidades DXCC mais raras e desejadas do mundo, despertando grande interesse entre radioamadores a cada nova ativação.
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