DX: 3B9/SQ9UM - Ilha Rodrigues, Maurício
Alex, SQ9UM, anuncia que estará ativo na Ilha Rodrigues como 3B9/SQ9UM durante 18 a 20 de agosto de 2026. QRV de 40 a 10 metros; CW, FT8/FT4 e possivelmente SSB. QSL via SQ9UM.
Mais informações no site QRZ.com clicando aqui
publicação original (em inglês) pode ser acessada clicando aqui.
A Ilha Rodrigues é uma ilha autônoma ultramarina da República da Maurício, com cerca de 108 km², situada a aproximadamente 560 km a leste da ilha principal de Maurício, no Oceano Índico. Junto com Maurício e a Reunião (departamento ultramarino francês), forma o grupo das Ilhas Mascarenhas. De origem vulcânica, a ilha é cercada por um recife de coral que forma uma lagoa com dezoito ilhéus menores. Sua capital e maior cidade é Port Mathurin, e a população gira em torno de 43 mil habitantes, em sua maioria descendentes de africanos, que formam a comunidade crioula rodriguense.
A ilha foi avistada por navegadores portugueses no início do século XVI e recebeu seu nome atual em homenagem ao navegador português Diogo Rodrigues, que por ali passou em 1528. Por estar fora das principais rotas marítimas da época, recebeu poucas visitas nos séculos seguintes: os holandeses passaram a frequentá-la a partir de 1601, e em 1691 o huguenote francês François Leguat e mais sete companheiros desembarcaram na ilha com a intenção de fundar uma colônia agrícola protestante. No século XVIII os franceses estabeleceram um povoado permanente, trazendo africanos escravizados para o trabalho agrícola e de pecuária — os antepassados da atual população da ilha. Em 1809 tropas britânicas tomaram a ilha dos franceses, e a escravidão foi finalmente abolida em 1834.
Rodrigues guarda dois episódios curiosos na história: em 1883, a erupção do vulcão Krakatoa, na Indonésia, foi ouvida na ilha — a quase 4.800 km de distância, o ponto mais remoto em que a explosão foi registrada, e até hoje considerado o som mais alto já registrado na história. Já em 1897, o navegador solitário Joshua Slocum, durante sua histórica volta ao mundo a bordo do veleiro Spray, passou oito dias na ilha reabastecendo água, carne e batatas-doces, elogiando a hospitalidade e os recursos locais em seus relatos de viagem.
A cultura rodriguense é marcada pelo Sega Tambour, gênero musical reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial, tocado com acordeão, palmas e percussão improvisada, muitas vezes de bambu. A culinária local aproveita frutos do mar como polvo, caranguejo e camarão, preparados com a tradicional molho rougaille. A economia da ilha gira em torno da pesca, da agricultura (com destaque para cebola, alho e pimenta), do artesanato e de um setor turístico em crescimento.
Rodrigues é também um destino de interesse naturalista: abriga a Reserva de Tartarugas Gigantes e Cavernas François Leguat, que reintroduziu milhares de tartarugas gigantes na ilha e conta com o sistema de cavernas calcárias Grande Caverne, a única "show cave" eletrificada do sudoeste do Oceano Índico. O recife de coral da ilha é autopropagado — sem receber larvas de coral de outras regiões — o que gerou um ecossistema único, com espécies endêmicas como o fody-de-rodrigues e o felosa-de-rodrigues. Por sua remota localização e raridade como entidade DXCC, Rodrigues já recebeu expedições de radioamadores ao longo dos anos, como a 3B9RF em 2015, e desperta sempre grande interesse entre os caçadores de DX.
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