SOTA: O Radioamadorismo nas alturas!

A operação de radioamadorismo em ambientes externos ganha cada vez mais adeptos no Brasil, e o programa SOTA (Summits on the Air) destaca-se como uma das modalidades mais técnicas e gratificantes, sendo um programa de premiação para radioamadores e ouvintes de ondas curtas (SWLs) que operam em cumes de montanhas.

Criado no Reino Unido em 2002 por John Linford (G3WGV), o programa hoje possui uma estrutura global que organiza a ativação de montanhas em mais de 100 países. Em países de dimensões continentais, os cumes cadastrados são organizados em “Associações”.No caso brasileiro, as Associações são estaduais. Assim o SOTA possui cumes válidos em todos os estados do Sul e Sudeste, Goiás e DF no Centro Oeste, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe na região Nordeste, e Tocantins na região Norte. O surgimento de novas associações depende apenas do interesse dos radioamadores locais.

A regra principal do SOTA exige que a operação seja feita por meios próprios, e de forma autônoma, sem contar com o apoio de veículos motorizados, geradores a combustível ou fontes externas de energia elétrica.

Essas limitações transformam a atividade em um exercício de eficiência. O operador precisará sempre buscar um equilíbrio entre os equipamentos a levar (peso) com a dificuldade de acesso ao cume.

Mas o SOTA não é apenas para montanhistas: Sempre haverão cumes com acesso facilitado, onde se pode chegar de carro ou com uma caminhada curta. Chegar de carro no cume não é proibido no programa, só a operação é que tem que ser feita sem o uso do veículo como apoio. Para planejar uma ativação, o radioamador pode contar com uma ferramenta de mapas online desenvolvida especialmente para o programa SOTA, o SOTLAS (de SOTA - Atlas), disponível em https://sotl.as .

Uma alternativa para o “radioamador de apartamento”

Embora demande um planejamento apurado e possa envolver algum esforço físico, o SOTA oferece ao operador vantagens técnicas que a estação urbana dificilmente alcança. Para quem reside em apartamentos ou áreas com alta densidade populacional, o programa é uma opção para operar longe do ruído eletromagnético que muitas vezes inviabiliza a operação desde a residência. No topo de uma elevação isolada, o nível de interferência de RF é quase inexistente, permitindo a escuta de sinais extremamente fracos que seriam sufocados pelo QRM urbano.

Outro fator técnico decisivo é o horizonte livre. Ao operar de um cume, a antena consegue um ângulo de partida de sinal mais baixo, o que favorece a propagação para contatos de longa distância (DX). Um rádio portátil operando com apenas 5 Watts de potência no topo de uma montanha pode, frequentemente, superar a performance de uma estação de 100 Watts instalada em um condomínio cercado por prédios.

O Papel Fundamental do Caçador

Uma ativação só é validada se o operador no cume realizar um número mínimo de contatos. Nesse cenário, o papel do Caçador (Chaser) é indispensável para o sucesso do programa. O caçador é o colega que, da sua estação base, monitora os alertas e spots de operação (https://sotl.as/spots/sotawatch ou https://sotawatch.sota.org.uk/pt/ ) e busca contato com o Ativador operando a partir do cume.

Exemplos de dedicação não faltam, como o do radioamador francês Christian, F4WBN. Mesmo a milhares de quilômetros de distância, Christian é um caçador assíduo dos ativadores brasileiros. Sua presença constante nos registros de contatos de cumes em Goiás e no Distrito Federal demonstra que, com uma estação bem ajustada e ouvidos atentos, o caçador é o elo que viabiliza o programa SOTA mundialmente.

Diferenças Práticas: SOTA vs. POTA

É comum confundir o SOTA com o POTA (Parks on the Air), pois ambos promovem a operação de estações de radioamador em contato com a natureza. No entanto, o “espírito” dos dois programas difere um pouco. No POTA, o foco é a operação em parques e reservas, e admite que o rádio seja operado de dentro de veículos e com o uso de qualquer fonte de energia. Já no SOTA, a essência é a operação completamente portátil. Enquanto o POTA exige dez contatos para validar uma ativação, o SOTA exige apenas quatro, refletindo a maior dificuldade logística de se operar em um cume isolado. Outra diferença importante é no registro do Log: o SOTA exige que tanto o ativador como o caçador façam o registro do Log. Já no caso do POTA, apenas o ativador registra o Log.

O convite está feito aos colegas do DF e Goiás: seja subindo uma trilha com o rádio na mochila ou sintonizando sua estação base para buscar contato com os colegas no topo, o SOTA é uma excelente forma de exercitar a técnica operacional e manter o espírito do rádio vivo além das paredes do “shack”.

Para saber mais sobre o programa SOTA:

https://www.sota.org.uk/

http://www.pp6ajm.qsl.br/?page_id=656

https://www.youtube.com/c/SOTABrasil/playlists?app=desktop

https://twitter.com/BrasilSota

Para mais informações sobre pontuação para diplomas SOTA, ver em: https://www.sota.org.uk/Joining-In/Awards

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